Projeto do gasoduto TAPI entra em fase decisiva e pode redefinir a integração energética da Ásia Central

Alexey Popov
By Alexey Popov
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O avanço do gasoduto TAPI para sua fase decisiva pode transformar a integração energética da Ásia Central, como analisa Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Paulo Roberto Gomes Fernandes evidencia que, em novembro de 2020, o projeto do gasoduto Turcomenistão–Afeganistão–Paquistão–Índia, conhecido como TAPI, avançava para uma etapa considerada decisiva por autoridades envolvidas na sua implementação. À época, representantes diplomáticos do Turcomenistão indicavam que o empreendimento já havia deixado o campo das intenções políticas e caminhava para uma fase prática de execução, com impacto direto sobre a matriz energética e o desenvolvimento econômico dos quatro países.

Com cerca de 1.840 quilômetros de extensão, o gasoduto foi concebido para transportar gás natural do Turcomenistão até o sul da Ásia, criando uma nova rota de suprimento energético em uma das regiões mais sensíveis do ponto de vista geopolítico. O projeto era visto como estratégico não apenas pelo volume de gás a ser transportado, mas também pela capacidade de estimular industrialização, reduzir custos de geração de energia e ampliar a cooperação regional.

Expectativa de início das obras e benefícios econômicos

Naquele momento, autoridades turcomenas afirmavam que os acordos com os governos parceiros estavam em fase final, o que permitiria o início das obras logo após a consolidação dos entendimentos institucionais. O discurso era de que o TAPI poderia se tornar um divisor de águas, especialmente para países como o Paquistão e o Afeganistão, que enfrentavam limitações severas de oferta energética.

A substituição de fontes mais caras e poluentes, como diesel e óleo combustível, pelo gás natural era apontada como um fator decisivo para a redução de custos na geração de energia elétrica. Além disso, Paulo Roberto Gomes Fernandes esclareceu que as taxas de trânsito associadas ao gasoduto representariam bilhões de dólares ao longo dos anos, fortalecendo as economias locais e criando um ambiente mais favorável ao investimento produtivo.

Complexidade técnica e interesse de fornecedores internacionais

Desde sua concepção, o TAPI foi reconhecido como um dos projetos de dutos mais complexos do mundo. O traçado atravessa regiões montanhosas, áreas de difícil acesso e zonas politicamente sensíveis, exigindo soluções de engenharia capazes de lidar com túneis, declives acentuados e longas distâncias em ambientes hostis.

Paulo Roberto Gomes Fernandes notou que esse conjunto de desafios atraiu o interesse de empresas com experiência específica em obras de alta complexidade. Entre elas, a brasileira Liderroll acompanhava o projeto havia pelo menos quatro anos, analisando oportunidades de participação em trechos que exigiriam tecnologias avançadas para cruzamento de túneis e superação de terrenos íngremes.

Acompanhamento técnico e posicionamento brasileiro

Nesse contexto, Paulo Roberto Gomes Fernandes esteve envolvido em reuniões técnicas e institucionais relacionadas ao projeto ainda em suas fases iniciais. Segundo avaliações feitas à época, o TAPI reunia não apenas desafios construtivos inéditos para a engenharia de dutos, mas também uma forte dimensão política, por envolver autonomias, interesses e estratégias energéticas de quatro países distintos.

A nova etapa do projeto TAPI reposiciona a Ásia Central no mapa energético global, tema comentado por Paulo Roberto Gomes Fernandes.
A nova etapa do projeto TAPI reposiciona a Ásia Central no mapa energético global, tema comentado por Paulo Roberto Gomes Fernandes.

A leitura era de que, embora o projeto apresentasse enorme potencial técnico e econômico, seu avanço dependeria do equilíbrio entre engenharia, diplomacia e segurança regional. Ainda assim, o fato de soluções técnicas terem sido consideradas desde a fase de concepção indicava um ambiente receptivo à adoção de métodos construtivos inovadores.

Energia, conectividade e infraestrutura associada

Além do gasoduto em si, o projeto TAPI previa a implantação de uma extensa linha de fibra óptica, com mais de 1.600 quilômetros, acompanhando o traçado da tubulação. Essa infraestrutura permitiria o monitoramento contínuo do gasoduto e ampliaria a conectividade digital entre Ásia Central, Sul da Ásia e outros mercados internacionais.

Também estava associado ao projeto um sistema de transmissão de energia elétrica, destinado tanto a alimentar as instalações do gasoduto quanto a possibilitar a exportação de eletricidade ao longo do corredor energético. Estimativas indicavam uma capacidade de até 3.000 megawatts, reforçando o papel do TAPI como um eixo multifuncional de integração regional.

Um projeto com impacto estrutural de longo prazo

Em 2020, o TAPI era tratado como muito mais do que um gasoduto. Ele simbolizava a tentativa de reorganizar fluxos energéticos, reduzir emissões ao substituir fontes mais poluentes e criar um corredor de desenvolvimento em uma região historicamente marcada por instabilidade.

Embora cercado de incertezas, Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que o avanço do projeto naquele período consolidava a percepção de que sua implementação poderia alterar de forma duradoura o mapa energético da Ásia Central, ao mesmo tempo em que abria espaço para a atuação de fornecedores internacionais especializados em soluções técnicas de alta complexidade.

Autor: Alexey Popov

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