Rastreabilidade ambiental vira exigência para exportar grão

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez
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Wander Aguilera Almeida

Comprovar de onde vem o grão deixou de ser um diferencial competitivo e está se tornando, aos poucos, uma condição básica para acessar determinados mercados compradores mais exigentes. Nesse sentido, o empresário Wander Aguilera Almeida percebe essa mudança refletida diretamente nas conversas com produtores que exportam ou vendem para empresas com compromissos ambientais mais rígidos assumidos junto a investidores e clientes finais.

Regulamentações internacionais, sobretudo na Europa, estão acelerando essa exigência de forma que já afeta a rotina de negociação hoje, não apenas num horizonte distante e teórico. Compradores de outros continentes vêm seguindo o mesmo caminho, ampliando critérios de origem antes mesmo de qualquer legislação obrigar isso formalmente em seus próprios países. Fica o alerta para quem ainda trata esse tema como algo distante da própria realidade.

Por que compradores internacionais passaram a exigir origem comprovada?

A pressão começou com regulamentações que condicionam a entrada de determinados produtos a comprovações claras de que a produção não está associada a desmatamento em áreas específicas do território nacional. Wander Aguilera Almeida observa que essa exigência já deixou de ser exclusividade europeia e vem se espalhando gradualmente para compradores de outros mercados relevantes ao redor do mundo, incluindo grandes economias asiáticas.

Empresas compradoras, por sua vez, também assumiram compromissos próprios de sustentabilidade junto a investidores e consumidores finais, o que as torna mais rigorosas na escolha de fornecedores ao longo de toda a cadeia produtiva. Um produtor sem documentação organizada corre o risco de ficar de fora justamente das negociações com os compradores dispostos a pagar melhor pelo produto entregue.

O que muda na prática para quem produz e para quem intermedeia?

Georreferenciamento da propriedade, documentação ambiental regularizada e histórico de uso do solo bem organizado deixaram de ser burocracia opcional para se tornar parte central da negociação. Segundo Wander Aguilera Almeida, esses documentos passaram a funcionar como pré-requisito da conversa em si, não apenas como exigência posterior ao fechamento do negócio já combinado.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

Quem intermedeia negócios agrícolas também sente essa mudança de perto: apresentar um produtor com documentação em ordem se tornou parte do trabalho de aproximar as partes, já que compradores mais exigentes hoje perguntam sobre origem antes mesmo de discutir preço com qualquer interessado na mesa de negociação.

Os desafios que essa exigência ainda impõe ao pequeno produtor

Nem todo produtor tem a mesma facilidade de acesso a ferramentas digitais, conectividade rural ou assistência técnica especializada para atender integralmente a essas exigências crescentes que se acumulam a cada ciclo. O empresário Wander Aguilera Almeida reconhece que essa desigualdade de estrutura é um dos pontos mais sensíveis dessa transição para todo o setor produtivo brasileiro.

Existe o risco real de que produtores menores, mesmo produzindo de forma correta e responsável, fiquem para trás simplesmente por falta de estrutura para comprovar o que já fazem certo na prática diária da propriedade. Organizações do setor têm discutido formas de simplificar esse processo sem abrir mão da credibilidade da comprovação exigida pelos mercados compradores.

Como plataformas digitais estão facilitando essa comprovação?

Sistemas que reúnem dados geoespaciais, cadastro ambiental e documentos fiscais num único ambiente digital vêm surgindo justamente para reduzir o peso burocrático dessa exigência sobre o produtor rural. Essas ferramentas ajudam a organizar informações que, até pouco tempo atrás, ficavam espalhadas entre diferentes órgãos e sistemas sem qualquer integração entre si, dificultando qualquer consulta rápida.

Ainda assim, ter acesso à plataforma não resolve tudo sozinho: o cadastro ambiental precisa estar correto, sem sobreposições ou pendências, para que a comprovação de origem seja aceita sem questionamentos por parte do comprador internacional. Regularizar essa base documental costuma ser o passo mais demorado de todo o processo e o que mais atrasa negociações já encaminhadas.

O que fica claro ao observar essa mudança de perto?

Tratar rastreabilidade como exigência distante, reservada a grandes produtores exportadores de grande porte, é subestimar a velocidade com que esse tipo de comprovação está se espalhando pela cadeia produtiva inteira. Cada vez mais compradores, de portes diferentes, incorporam esse critério antes de fechar qualquer negócio comercial.

Tal como conclui Wander Aguilera Almeida, organizar essa documentação com antecedência, em vez de correr atrás dela apenas quando um comprador específico exigir, é o que garante ao produtor acesso aos mercados que pagam melhor pela origem comprovada, sem perder oportunidades por simples falta de preparo prévio na hora certa.

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