Por que comprar um imóvel na planta exige atenção a detalhes que vão muito além do preço e da localização? 

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez
6 Min de leitura
Guilherme Silva Ribeiro Campos

Conforme destaca Guilherme Campos, empreendedor e desenvolvedor imobiliário, a compra de um imóvel na planta é uma das decisões financeiras mais relevantes que uma família ou investidor pode tomar, e também uma das que mais frequentemente resultam em frustrações evitáveis. Na prática, o preço abaixo do valor de mercado e a localização promissora são os atrativos que aparecem em primeiro plano nas campanhas de lançamento, mas raramente são os fatores que definem se a experiência de compra vai ser positiva ou problemática. Isso porque os detalhes que realmente importam ficam nos documentos, nos contratos e na reputação de quem está vendendo.

A diferença entre uma compra bem-feita e uma experiência problemática na planta quase sempre pode ser rastreada até etapas que o comprador não realizou com o cuidado necessário: a análise do contrato, a verificação da regularidade do empreendimento e a pesquisa sobre o histórico do incorporador. Esses passos não exigem conhecimento técnico especializado, mas exigem tempo, atenção e disposição para fazer perguntas antes de assinar qualquer documento.

Antes de fechar negócio em um lançamento imobiliário, entenda quais são os detalhes que fazem toda a diferença entre uma boa compra e um problema de anos.

O que verificar na documentação do empreendimento?

O primeiro conjunto de verificações que todo comprador de imóvel na planta deveria fazer diz respeito à regularidade documental do empreendimento. O registro de incorporação no cartório de imóveis, o memorial descritivo aprovado, as certidões negativas do incorporador e a aprovação do projeto pela prefeitura são documentos que precisam estar em ordem antes de qualquer assinatura.

Sob a ótica de Guilherme Campos, empreendimentos que não conseguem apresentar esses documentos de forma clara e completa quando solicitados pelo comprador revelam, por essa dificuldade, um nível de risco que não está refletido no preço nem na qualidade do material de vendas. A regularidade documental não é burocracia. É a garantia de que o que está sendo vendido existe juridicamente e que o comprador está adquirindo um direito real, não uma promessa sem respaldo legal.

Guilherme Silva Ribeiro Campos
Guilherme Silva Ribeiro Campos

O contrato e as cláusulas que mais afetam o comprador

O contrato de compra e venda de um imóvel na planta é o documento que vai reger a relação entre o comprador e o incorporador por anos. Apesar disso, poucos compradores leem o contrato com a atenção que ele merece antes de assinar. As cláusulas sobre prazo de entrega e tolerância para atraso, condições de distrato e percentuais de retenção, reajuste das parcelas durante a obra e especificações técnicas do imóvel são pontos que precisam ser compreendidos em detalhe antes da assinatura.

Na leitura de Guilherme Campos, o prazo de tolerância para atraso na entrega é uma das cláusulas que mais surpreende compradores que não leram o contrato com atenção. Prazos de cento e oitenta dias de tolerância além da data prevista de entrega são comuns e legais, mas representam seis meses adicionais em que o comprador pode estar pagando aluguel enquanto aguarda o imóvel que já quitou ou está financiando. Por isso, conhecer essa cláusula antes de assinar permite ao comprador planejar sua situação habitacional e financeira de forma mais realista.

O histórico do incorporador como critério de avaliação

A reputação e o histórico de entregas do incorporador são, em muitos aspectos, o critério mais importante na avaliação de um imóvel na planta. Afinal, um empreendimento com excelente localização e preço atrativo, desenvolvido por um incorporador com histórico de atrasos, especificações técnicas abaixo do prometido ou dificuldades financeiras, representa um risco muito maior do que um empreendimento de localização mediana, desenvolvido por uma empresa com histórico consistente de entregas no prazo e no padrão acordado.

Conforme ressalta o empresário Guilherme Campos, pesquisar o histórico do incorporador não é uma tarefa complexa. Isso porque visitar empreendimentos anteriores da empresa, conversar com moradores sobre a experiência de compra e entrega, verificar se há ações judiciais relevantes contra a incorporadora e pesquisar avaliações em plataformas de reputação são etapas que qualquer comprador pode realizar antes de tomar sua decisão.

Como proteger seu investimento ao longo da obra?

Mesmo após a assinatura do contrato, o comprador de imóvel na planta pode e deve acompanhar o andamento da obra para proteger seu investimento. Visitas periódicas ao canteiro, acompanhamento dos relatórios de obra quando disponibilizados pelo incorporador e atenção a notícias sobre a situação financeira da empresa são práticas que permitem identificar sinais de alerta antes que um problema se torne irreversível.

Guilherme Campos pontua que compradores bem informados sobre o andamento da obra têm mais condições de tomar decisões rápidas quando surgem problemas, seja acionando garantias contratuais, seja buscando assessoria jurídica antes que os prazos legais para determinadas ações sejam superados. O acompanhamento ativo da obra não é desconfiança. É a postura responsável de quem investiu uma parte relevante de seu patrimônio em um ativo que ainda está sendo construído.

Siga @guicamposvlg no Instagram para mais conteúdos sobre mercado imobiliário, segurança jurídica e decisões inteligentes na compra de imóveis.

Compartilhe esse artigo